
Alberto Santos Dumont é um importante nome a recordar quando se conta a história da aviação.
Porque fez o primeiro voo de aeroplano aprovado oficialmente, em 1906.
Mas quem fez isso não foram os irmãos Wright?
Os irmãos Wright voaram em 1903, mas o seu voo não ficou registado oficialmente, uma vez que trabalharam sem publicidade jornalística.
Por causa disso existe uma grande discussão entre norte-americanos e brasileiros sobre quem foi afinal o primeiro a voar.
Mas vamos saber um pouco mais sobre Santos Dumont.
Santos Dumont nasceu em Cabangu, Minas Gerais, no dia 20 de Julho de 1873.
Em 1891, com 18 anos, mudou-se para Paris com os pais, ricos, que tinham uma importante plantação de café no Brasil.
Enquanto viveu no Brasil, Santos Dumont passava os seus dias a ler Júlio Verne
Foi com ele que nasceu o seu sonho de voar.
Em França estudou física, mecânica e electricidade, pois adorava a engenharia. A sua paixão por voar fê-lo dedicar-se à engenharia aeronáutica (de aviões).
Mas aprendeu a lidar com a mecânica muito cedo: aos 12 anos já conduzia as locomotivas do pai, além de fazer a manutenção das máquinas da plantação de café.
O seu objectivo era aplicar o motor de explosão (o que era utilizado nos automóveis) em veículos que voassem. Assim, quando terminou os estudos, dedicou-se à construção de dirigíveis.
Em 1901, construiu um dirigível com motor a petróleo (o que era considerado perigoso) com o qual conseguiu elevar-se do solo e realizar o percurso (ida e volta) de Saint-Cloud à Torre Eiffel.
Ao mesmo tempo que construía vários dirigíveis, dedicava-se ao seu sonho: construir um aparelho mais pesado do que o ar e voar com ele.
Esse sonho foi concretizado a 23 de Outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em França, com um aeroplano criado por si: o 14-Bis.
Estavam presentes centenas de pessoas e jornalistas que fotografaram e comprovaram o evento.
Com este feito ganhou dois importantes prémios: a taça Ernest Archdeacon, para o primeiro aeroplano que, com os seus próprios meios, voasse mais de 25 m, e o prémio do Aeroclube da França, para o percurso de 100 m.
Ao contrário de outros construtores de aeronaves da época, Santos Dumont fazia sempre as suas experiências em frente ao público e nunca registava
patentes, dizendo que o seu trabalho era para todos.
Entre 1907 e 1910 usou outra invenção sua, o «Demoiselle» (um pequeno e frágil aeroplano muito semelhante aos actuais ultraleves), para fazer inúmeros voos.
O seu objectivo era que este pequeno avião se transformasse num «carro do ar» e que cada pessoa tivesse o seu.
Foi mais ou menos por esta altura que os irmãos Wright mostraram os seus inventos ao público.
Em 1909, decidiu deixar de voar: tinha trabalhado 12 anos sem parar e sofrido vários acidentes, o que afectou muito a sua saúde. Durante algum tempo dedicou-se à astronomia, estudando meteoros.
Quando começou a I Guerra Mundial, em 1914, partiu da Europa, fazendo uma longa viagem pelo continente americano.
Uma das coisas que o deixou mais triste com a guerra foi o facto de se usarem dirigíveis e aviões como armas.
Em 1926 pediu à Liga das Nações que fizesse alguma coisa para impedir a utilização de aviões na guerra. Chegou mesmo a oferecer recompensas a quem se dedicasse ao assunto!
Alguns anos depois, decidiu voltar ao Brasil ficando a morar numa casa cheia de criatividade, projectada por si, a que deu o nome de «Encantada». A casa é hoje o Museu Santos Dumont.
Sofrendo de grandes depressões, talvez causadas pela esclerose múltipla que o afectava, Santos Dumont foi ficando cada vez mais doente até que no dia 23 de Julho de 1932 faleceu.
Para sempre ficou conhecido como «o pai da aviação».
Ainda hoje, um monumento em Paris apresenta Santos Dumont como o autor do primeiro voo registado de aeroplano.