Amigo, sei que onde estás agora, consegues ouvir-me,
Não consigo aceitar esta tua partida meu amigo, foste embora sem dar aviso, Deus fez a sua chamada e respondeste ao seu pedido.
A vida foi-te muito madrasta, mas no meu coração fica a recordação dos tempos de infância, em que todos juntos brincávamos na rua, á bola, aos rolamentos, ao pião e á carica...
As nossas tardes no “carreiro” a ouvir a tia Deolinda a contar-nos histórias de outros tempos...
As nossas fugas pelo trigal do Tio Francisco para roubar-mos as cerejas que ele tanto guardava das pestes que nós éramos...
Os nossos projectos de futuro em que cada um de nós, O Nelo, O Jorge, a Delfina, a Anita, a Alexandra, a Isabel, o Adriano, o Anastacio e todos os outros “putos” que faziam parte da nossa vida, sonhavavamos com o dia em que seriamos Doutores, Engenheiros, ou simples funcionários de uma qualquer empresa em Lisboa....
Inocência a nossa, em que o mundo era a nossa “rua” a” Rua do Moinho Velho”...
Partiste amigo, deixaste as dores e tristezas amargas de uma vida errante e sem pôr-do-sol...
Espero que no mundo em que estás neste momento, os jardins estejam cheios de paz, de conforto, de felicidade, de tranquilidade, de horizonte que nunca conseguiste encontrar neste planeta e que os teus filhos consigam alcançar , nesta terra, todos os sonhos que tu nunca realizaste e que sonhaste para eles
Até sempre Eduardo